Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social
PUC-Rio
Notícias Pesquisadora Joana Beleza promove a instalação “Livro-Coisa” no campus da PUC-Rio
31/10/2019

A partir do estudo sobre a materialidade do livro, a recém-doutora Joana Beleza, do PPGCom/ PUC-Rio, construiu uma instalação no campus, a fim de testar a argumentação de sua tese de doutorado, defendida em novembro. A pesquisadora recorreu à arte para criar o projeto “livro-coisa”, onde convida o visitante a experimentar o livro repousado de suas representações sociais habituais. O espaço busca estimular novas sensibilidades a partir do contato com materiais que costumam estar distantes da teia de significados que gravitam em torno do livro.

- A proposta é que a partir dos materiais, a partir da coisa, a pessoa se volte para dentro, para si mesma. É uma quebra de automatismo. A partir desse material que não veio decodificado para mim, eu também me transformo. Aqui é o material se transformando e a pessoa se transformando a partir desse material – explica Joana.

Na cabana montada no bosque da Universidade, o visitante é vendado e tem contato com materiais diversos como água, caixas de madeira, sons e textos impressos. Para produzir os diferentes dispositivos da instalação, a pesquisadora fez um curso de transformação de materiais no Parque Lage. As reações surpreenderam:

- Teve gente que fez o sinal da cruz, que teve medo, vontade de chorar. Uns descreveram objetos que não estavam na instalação, como ventiladores; outros disseram que eu coloquei alguma coisa na água. Aqui tem o silêncio das palavras, o silêncio das representações. Eu não esperava os resultados alcançados – relata a artista.

A tese A vida matéria do livro: um estudo sobre materialidade, experiência e o não-automatismo investiga a participação do livro dentro de um recorte da arte contemporânea, a fim de encontrá-lo como organismo vivo, impermanente, desprovido de representações acabadas da cultura. O livro é discutido como elemento material descansado de sua força simbólica tradicional, que vincula seus significados a ideia de intelectualidade, conhecimento, educação.

Ainda que nosso ambiente cultural esteja revestido de signos onipresentes, a argumentação sugere haver espaço para novas relações entre materiais, outras interações entre humanos e artefatos. Nesta interpretação, a pesquisa reúne proposições de artistas que usaram o livro como material e instrumento da arte. A fundamentação teórica é construída a partir dos estudos da Cultura Material, de Daniel Miller e Tim Ingold em diálogo com a obra de Heidegger, Bill Brown e Didi-Huberman.

 

 

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